De acordo com levantamento da Ipsos-Ipec a pedido do CISA, a maioria dos brasileiros declarou não consumir álcool em 2025. 64% da população afirma estar abstinente, um salto em relação a 2023 (55%), puxado sobretudo pelos jovens de 18 a 34 anos.
O estudo revela uma mudança no comportamento de consumo, com o grupo de 18 a 24 anos registrando a variação mais brusca: a abstinência saltou de 46% para 64% em apenas dois anos. Além disso, o consumo abusivo entre os mais jovens caiu de 20% para 13% no período. Para especialistas, o fenômeno segue uma tendência internacional.
Apesar da alta na abstinência, o uso nocivo de álcool segue crescendo, especialmente entre a população idosa. Entre 2010 e 2023, o consumo abusivo entre pessoas com 55 anos ou mais subiu de 7,7% para 8,6%, puxado pelas mulheres dessa faixa etária. Psiquiatras alertam que beber em excesso nessa fase da vida é mais prejudicial, pois o envelhecimento diminui a tolerância ao álcool e intensifica seus efeitos.
As consequências na saúde pública são graves. Dados do Datasus mostram que 73.019 mortes atribuídas ao álcool foram registradas em 2023, um aumento de 10,2% desde 2010. Mais da metade dessas mortes ocorreu entre pessoas acima de 55 anos. As internações relacionadas ao álcool também subiram 24,2% no país, com o maior crescimento justamente na população 55+, que teve uma alta de 81,8% nas hospitalizações.
“É preocupante, porque a população brasileira está envelhecendo”, afirmam especialistas.



