Mounjaro, apneia do sono, estética e saúde mental
A recente autorização da Anvisa (nov/2025) para que dentistas também possam prescrever Mounjaro (tirzepatida) reacende debates importantes — não apenas sobre o medicamento, mas sobre como lidamos com corpo, saúde e sofrimento psicológico.
O Mounjaro foi inicialmente aprovado para diabetes tipo 2, depois (jun/2025) para controle de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso, e mais recentemente teve seu uso ampliado para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) em pacientes obesos.
A apneia do sono, por sua vez, não é “só ronco”: ela aumenta risco de depressão, ansiedade, irritabilidade, fadiga extrema e prejuízo cognitivo — todos componentes que afetam profundamente a saúde mental.
O ponto é que, quando um medicamento com indicação complexa e multifatorial passa a circular nas redes como “caneta emagrecedora”, entra em cena um risco enorme de medicalização superficial: pessoas buscando soluções rápidas motivadas por culpa corporal, comparações constantes e pela pressão estética que se intensifica diariamente.
Do ponto de vista psicológico, isso traz impactos reais:
• A apneia do sono mal tratada agrava sintomas ansiosos e depressivos.
• A medicalização estética reforça a sensação de inadequação e insatisfação corporal.
• A busca imediata pelo emagrecimento pode mascarar sofrimento emocional não tratado.
• O uso inadequado de fármacos pode gerar frustração, expectativas irreais e aumento da ansiedade.
Saúde mental também é compreender que nem todo sofrimento se resolve com uma prescrição — e que corpo, sono, emoção e contexto estão profundamente entrelaçados.
Medicamentos têm papel, mas não substituem cuidado integral.



