CANDIDATURAS DE FACHADA: A INDÚSTRIA DOS VOTOS MINGUADOS E A ILUSÃO DO ELEITOR
Por Cleber Vieira – Jornalista
A cada eleição, surge uma verdadeira enxurrada de candidatos aos cargos de deputado federal e estadual. Entre eles, influenciadores digitais, ex-vereadores, candidatos derrotados em eleições municipais e personagens que aparecem no cenário político sem trajetória, propostas consistentes ou qualquer perspectiva real de conquistar uma cadeira no Legislativo.
O que chama a atenção são as votações insignificantes de alguns desses candidatos, que sequer conseguem repetir os votos obtidos quando disputaram uma vaga de vereador. Mesmo assim, apresentam-se como grandes lideranças, alimentando sonhos e criando expectativas em eleitores que acreditam estar escolhendo um futuro representante.
É preciso levantar uma questão incômoda: quantas dessas candidaturas são realmente projetos políticos e quantas servem apenas a interesses financeiros ou estratégias partidárias?
O acesso aos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário exige transparência e fiscalização. Embora receber recursos públicos de campanha não constitua irregularidade por si só, é necessário investigar eventuais candidaturas utilizadas para desviar dinheiro, beneficiar terceiros ou atender a interesses que nada têm a ver com a representação popular.
Não podemos generalizar. Existem candidatos sérios, inclusive aqueles com poucos votos, que defendem causas legítimas e buscam construir uma trajetória política. Entretanto, também é preciso questionar os aventureiros que aparecem de quatro em quatro anos, explorando a boa-fé do eleitorado.
O mais preocupante é perceber que parte da população, sem informações suficientes sobre o funcionamento do sistema eleitoral, acaba sendo seduzida por discursos vazios, promessas mirabolantes e campanhas sustentadas apenas pela popularidade nas redes sociais.
É importante esclarecer que, no sistema proporcional, o voto dado a um candidato não eleito não é necessariamente desperdiçado, pois pode contribuir para a votação do partido ou federação. O verdadeiro prejuízo acontece quando o eleitor é enganado por projetos políticos sem compromisso com a sociedade.
A política não pode ser transformada em balcão de negócios, muito menos em oportunidade para alguns embolsarem dinheiro público sob o disfarce de uma candidatura.
O eleitor precisa aprender a distinguir popularidade de competência, discurso de compromisso e ambição pessoal de vocação pública.
A democracia custa caro demais para continuar servindo de palco a aventuras eleitorais.
O voto é coisa séria. E quem brinca com a esperança do povo não merece representá-lo.
Cleber Vieira – Jornalista DRT 7.774
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