Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais evidente que parte da comunicação no Brasil passou a adotar uma postura marcada quase exclusivamente pela crítica e pela busca incessante por defeitos. Em muitos casos, parece não haver espaço para reconhecer avanços, qualidades ou qualquer aspecto positivo de ações públicas ou iniciativas que beneficiem a sociedade.
Essa prática levanta um questionamento importante: a quem interessa esse modelo de comunicação baseado apenas na negatividade? Em determinados momentos, surge a suspeita de que alguns discursos podem estar alinhados a interesses políticos, pessoais ou estratégicos, alimentando a lógica do “quanto pior, melhor”. Quanto maior o clima de crise, maior também a possibilidade de ganhos políticos, visibilidade ou espaço de destaque.
Por outro lado, quando profissionais da comunicação adotam uma postura equilibrada — analisando fatos com senso crítico, mas também reconhecendo resultados positivos quando eles existem — acabam, muitas vezes, sendo rotulados de “vendidos” ou “parciais”. Essa acusação, geralmente feita sem qualquer prova, acaba sendo utilizada como uma forma de intimidação ou tentativa de desqualificar quem não segue a mesma linha de pensamento.
O verdadeiro jornalismo não deve ser movido apenas pela crítica destrutiva, nem pela defesa cega de interesses. O papel da imprensa é muito mais amplo: fiscalizar, questionar, investigar, mas também reconhecer quando há avanços e iniciativas que contribuem para o bem coletivo.
A sociedade precisa de uma comunicação responsável, que saiba ouvir todos os lados e que tenha compromisso com a verdade, não com narrativas prontas ou disputas pessoais. Quando o debate público passa a ser dominado apenas por ataques, acusações e tentativas de descredibilizar colegas de profissão, quem perde é o cidadão que busca informação confiável.
Espalhar dúvidas sobre o caráter de profissionais que tentam fazer um jornalismo equilibrado é uma atitude antiética e prejudicial ao próprio ambiente da comunicação.
Por: Cleber Vieira
Pós em Jornalismo DRT 7.774
e Radialista Profissional RPR 1.989


