Cada vez mais jovens estão adiando ou até abandonando a ideia de ter filhos. O motivo principal não costuma ser falta de desejo por família, mas sim uma barreira financeira pesada.
O custo de vida subiu muito: aluguel alto, contas que não param de aumentar, dificuldade para conseguir um emprego estável e salários que mal acompanham a inflação. Somado a isso, educação particular, plano de saúde decente, creche, alimentação especial e moradia própria viraram despesas que parecem impossíveis de bancar sem uma reserva grande.
Para muita gente, formar uma família deixou de ser só uma questão de amor ou vontade. Virou uma conta complexa de matemática: será que dá para pagar tudo sem passar aperto extremo? Muitos concluem que não dá, ou que o risco é alto demais.
Esse padrão aparece em vários países, e o Brasil não fica de fora. A taxa de natalidade vem caindo ano após ano, com números oficiais mostrando menos nascimentos por mulher em idade fértil.
A geração atual coloca em primeiro lugar coisas como equilíbrio emocional, saúde mental, liberdade para viajar ou investir em si mesmo antes de assumir a criação de uma criança. Ter filho passou a ser visto como algo que exige uma base sólida, quase um luxo para quem já tem segurança garantida.
A dúvida que fica no ar é simples e dura: ainda dá para planejar filhos sem ter estabilidade financeira consolidada? Ou a paternidade e a maternidade viraram privilégio de uma minoria que consegue pagar o preço?
Muitos jovens respondem que, no cenário atual, sem uma rede de apoio forte ou renda bem acima da média, o caminho mais seguro é esperar — ou simplesmente não ter.



