O consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil mais que dobrou desde os anos 1980, passando de 10% para 23% da alimentação. Segundo o pesquisador Carlos Monteiro, que liderou o estudo, essa mudança não é ao acaso. Grandes empresas tornaram esses produtos muito acessíveis, com marketing intenso e, com pressão política, dificultam políticas de alimentação saudável. Os especialistas lembram que dietas cheias de ultraprocessados costumam ter mais calorias, menos nutrientes e muitos aditivos. Uma análise de 104 estudos de longo prazo mostrou que 92 deles relacionam esse tipo de produto a maior risco de doenças como diabetes tipo 2, câncer e problemas cardiovasculares. Os dados vêm de artigos de cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e parceiros, publicados na revista The Lancet. Ultraprocessados são produtos alimentícios feitos principalmente de ingredientes industriais e não de alimentos naturais, passando por muitos processos para ficarem mais duráveis, prontos para consumo e saborosos, como refrigerantes, biscoitos recheados, macarrão instantâneo, salgadinhos e vários alimentos “prontos para comer”. Diante desse cenário, os autores do estudo defendem medidas urgentes: rotulagem mais clara, limites para publicidade e regras para reduzir a presença desses produtos em locais públicos, como escolas e hospitais. Também sugerem taxar determinados ultraprocessados para financiar alimentos frescos para famílias de baixa renda. O Brasil aparece como exemplo positivo por causa do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que amplia a oferta de alimentos frescos nas escolas públicas. Ele incentiva o uso de alimentos frescos, da agricultura familiar e estabelece limites para ultraprocessados nas escolas.



