Edit Template

Tenho sonho de ser senador, e ficaria honrado em ser vice-governador, diz Adolfo

Por Guilherme Reis e Paulo Roberto Sampaio

nas decisões do Legislativo e critica a ausência de uma regulamentação clara sobre a reeleição para cargos das mesas diretoras das assembleias estaduais.

O parlamentar discorre sobre seu legado à frente da ALBA, destacando a obtenção do Selo Ouro de Transparência Pública da Atricon, os avanços na economia de recursos e na seriedade da gestão orçamentária. Ele também fala sobre a relação com sua sucessora, Ivana Bastos, reafirmando a harmonia na transição de comando e seu apoio à nova presidência.

Além de abordar sua atuação legislativa e os desafios da Assembleia, Adolfo Menezes compartilha suas expectativas políticas para o futuro, seus anseios por novos desafios e sua visão sobre o desenvolvimento da Bahia, incluindo projetos estruturantes como a Ponte Salvador-Itaparica. Confira a entrevista completa a seguir:

Tribuna – Como o senhor recebeu essa decisão do STF de afastá-lo da presidência da Assembleia?

Adolfo Menezes – Recebi com tranquilidade. Era algo esperado. Só surpreendeu a velocidade com que foi julgado. O fato é que, mais uma vez, o STF interferiu em um assunto do Poder Legislativo, que também tem culpa nessa história, no caso o Congresso Nacional, que não fez uma lei ou emenda constitucional para definir essa questão de quantas reeleições pode haver para os cargos das mesas diretoras das assembleias legislativas. Porque para o Executivo isso está claro, mas não está para o Legislativo. Veja que estamos tendo casos com entendimentos diversos em todo o país. Não foi só na Bahia que aconteceu, porque, como se diz na gíria do futebol, a regra não é clara. Outro ponto que aproveito para explicar aqui é que eu não fui candidato à reeleição de mim mesmo. Não foi algo só da minha vontade, do meu ego. Houve um apelo de diversos colegas, quase a unanimidade da Assembleia Legislativa da Bahia, para que eu concorresse. Não havia um outro nome natural, quando as conversas começaram, no final do ano passado, para disputar a presidência dentro da base do governo. Comecei a receber os apoios e aceitei o desafio, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaria no campo jurídico.

Tribuna – Durante sua gestão como presidente da Assembleia, quais foram as principais conquistas e desafios que enfrentou?

Adolfo Menezes – Eu tenho orgulho de dizer que, nos dois mandatos como presidente da Assembleia, fizemos um trabalho que tornou a Casa destaque nacional. Em 2024, por exemplo, recebemos o Selo Ouro de Transparência Pública da Atricon (Associação dos Membros dos Tribunal de Contas do Brasil). Ou seja, saímos das últimas posições para o topo nesse quesito de seriedade e transparência na aplicação dos recursos públicos. Aprimoramos o nosso Portal da Transparência e hoje todo cidadão, de qualquer parte do mundo, sabe quanto exatamente temos de orçamento e quanto gastamos. Qualquer um pode saber, por exemplo, como os deputados usam as verbas às quais têm direito por lei. Buscamos economizar em cada contrato com fornecedores ou aquisições. E me orgulho bastante do fato de que, na minha presidência, nunca a Casa foi alvo de qualquer denúncia de malversação ou desvio de dinheiro público. Só gastamos com aquilo que era necessário. Veja, inclusive, que não fiz nenhuma obra faraônica. Na parte política, contribuímos para que a Bahia avançasse com a aprovação de projetos importantes, tanto do Executivo quanto de autoria dos próprios deputados. Outro ponto positivo é que diminuímos bastante a farra que havia na entrega de homenagens, de honrarias, criando limitações para a concessão dos títulos de cidadania baiana e comendas.

Tribuna – Após todo esse processo, qual sua expectativa em relação à gestão de Ivana? Ficou algum atrito ou a união se mantém?

Adolfo Menezes – Eu vi aí um ou dois colegas seus divulgarem matérias tentando simular algum tipo de atrito entre a deputada Ivana Bastos e eu, a partir de falas de algumas aves de mau agouro. Meu relacionamento com Ivana sempre foi excelente, de amizade, respeito e parceria. Eu apoiei a candidatura dela a vice-presidente e depois a efetivação dela como presidente sem a necessidade de novas eleições. No STF, abri mão de recursos e de prazos para que tudo se resolvesse rapidamente. Tenho certeza que ela será uma grande presidenta, e estarei ao lado dela no que for preciso. Já concluímos todo o processo de transição e ela assumiu o comando de uma Assembleia organizada, o que, acredito, vai ajudá-la bastante e ter êxito.

Tribuna – Após seu afastamento da presidência da Assembleia, quais são seus planos e objetivos políticos futuros?

Adolfo Menezes – Seguir com meu mandato, representando bem os municípios onde tenho base, como sempre fiz, e defendendo os interesses do povo baiano. Quando era presidente, nunca deixei de fazer isso. A diferença é que agora terei mais tempo para fazê-lo. Nos últimos dias, por exemplo, tivemos diversas reuniões com prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e lideranças do interior em meu gabinete. Também levamos prefeitos para serem atendidos pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) e por secretários de Estado. Essa é a rotina que seguirá. Agora, se você me perguntar, ainda tratando de futuro, se tenho outras pretensões na política ou fora da política, eu posso responder que tudo depende das oportunidades que irão surgir. Eu sempre disse, por exemplo, que eu tenho o sonho de ser senador. Também ficaria honrado em ser vice-governador, quem sabe? Governador também, e olha que já fui de forma interina em algumas ocasiões. Mas, brincadeiras à parte, eu entendo que temos, no meu grupo político, lideranças muito mais fortes do que eu, então continuarei como estadual. Nunca tive vontade de ser deputado federal, embora nas três últimas eleições eu tenha recebido votos suficientes para assumir uma cadeira na Câmara. E ainda tem gente da imprensa que quer me colocar numa cadeira do tribunal de contas, o que seria uma honra também, é claro. Vamos ver o que vai acontecer em 2026.

Tribuna – O senhor já exerceu os cargos de vereador e prefeito em Campo Formoso. Como essas experiências influenciaram sua atuação como deputado estadual?

Adolfo Menezes –Na política, assim como na vida em geral, a gente deve sempre estar aprendendo. Tive a honra de começar como vereador e, depois, fui prefeito da minha terra natal, Campo Formoso. São dois cargos públicos em que a gente vive um pouco mais de perto a realidade da população, e isso exercita a nossa sensibilidade política, principalmente se essa é uma vocação. Acho até que todo político, antes de ser deputado, deveria ser vereador, e também que, em algum momento, sentasse na cadeira de prefeito. Graças a Deus, eu sempre exerci essas funções com a mesma simplicidade e dedicação que como deputado e presidente Assembleia. Nunca mudei, sabe? Porque a boa política também é a o cuidado de tratar bem as pessoas, sem fazer distinção. Gandhi já dizia que “a verdadeira medida de qualquer sociedade é o modo como trata seus membros mais vulneráveis”. Essa é a essência da liderança.

Tribuna – Quais são suas principais prioridades legislativas para o atual mandato como deputado estadual?

Adolfo Menezes – Eu vou seguir trabalhando pelos municípios que represento e a favor do povo da Bahia. Na última eleição, eu fui votado em dezenas de municípios. Graças a Deus, e ao trabalho que temos feito, consegui ampliar a minha base na eleição municipal de 2024. Então, a minha responsabilidade é grande. Vou continuar levando obras e investimentos e dando a nossa contribuição para melhorar a qualidade de vida das pessoas.

Tribuna – Em sua opinião, quais são os principais desafios que a Assembleia Legislativa da Bahia enfrenta atualmente e como eles podem ser superados?

Adolfo Menezes – Fico feliz em dizer que deixei a presidência da Assembleia com a Casa funcionando plenamente, com tudo em ordem. Claro que sempre há o que melhorar. Por exemplo, temos que criar uma rotina para votar projetos de deputados. Não podemos deixar para apreciar essas proposições apenas no final do ano. Além disso, as comissões deveriam funcionar de forma mais ativa, com a presença regular dos parlamentares, inclusive com audiências e reuniões fora das dependências da Casa. Isso aproximaria a Assembleia ainda mais da sociedade. Outra coisa que sempre defendi é que o governo do Estado garanta o orçamento real da Assembleia no final do ano anterior, para evitar pedidos de suplementação. O que acontece hoje é que o orçamento enviado pelo Executivo e aprovado para o Legislativo para o ano seguinte nunca é aquele capaz de atender às diversas necessidades da Casa, sobretudo com a folha de pessoal.

Tribuna – Quais medidas o senhor acredita serem essenciais para impulsionar a economia baiana nos próximos anos?

Adolfo Menezes – O governo Jerônimo Rodrigues tem feito a sua parte, atraindo investimentos de peso, a exemplo da fábrica da BYD, e com obras de infraestrutura, como novas estradas, portos e aeroportos. O estímulo ao turismo por todo a Bahia é outra estratégia importante. E o governador faz entregas, licitações ou ordens de serviço sem olhar a coloração partidária do prefeito. Veja, por exemplo, os anúncios importantes que o governador fez recentemente para aprimorar o fluxo de visitantes em Morro de São Paulo, lá em Cairu. Em breve, teremos um novo aeroporto na região de Jequié, cidade comandada por outro prefeito que não votou com Jerônimo. Em Campo Formoso, o prefeito é da oposição, mas o governador tem atendido a todos as solicitações do meu mandato que se transformaram em investimentos históricos no município. O governador também busca valorizar o homem do campo por meio de diversos programas que contribuem para impulsionar a atividade econômica. Claro que muita coisa é conduzida em parceira com o governo federal, que tem uma importância fundamental para fazer a economia em todo o país girar bem. Pena que temos um Banco Central trabalhando contra com essa perversa política de juros altos, prejudicando quem trabalha e quem produz neste país.

Tribuna – O sr. acredita que a Ponte Salvador-Itaparica sairá do papel na gestão de Jerônimo?

Adolfo Menezes – Não é uma obra fácil, tanto que até hoje não virou realidade. Mas eu acredito que o atual governo está trabalhando com o objetivo de criar as condições para que a ponte saia, o que seria extremamente importante para a ilha e todo o baixo sul baiano. Esperamos que o governo federal também ajude nessa intervenção com prioridade, diante do tamanho e da importância dessa obra para a Bahia. O presidente Lula, por sinal, deve muito à Bahia, e com certeza também está atento à questão da ponte.

Tribuna – Por falar em Jerônimo, acredita que o governador conseguiu imprimir a própria marca?

Adolfo Menezes – Jerônimo teve a sorte de suceder dois grandes governadores, Jaques Wagner e Rui Costa, que deixaram a Bahia nos trilhos. Claro que, a exemplo dos antecessores, Jerônimo também deixará o seu legado. Ele está apenas na metade do primeiro governo, e já tem feito isso, tanto na política quanto na gestão. É um governador de fino trato, bom de diálogo, que sabe cativar as pessoas, além de ser um trabalhador incansável e um líder extremamente atento às necessidades do povo.

Tribuna – O que pensa sobre o defesa feita pelo PT de uma chapa composta por “três governadores” em 2026? O PSD vai insistir na manutenção do espaço? Esse debate poderá comprometer a aliança?

Adolfo Menezes – Não há como negar que essa seria uma chapa forte. Eu acabei de falar da sorte de Jerônimo em suceder dois grandes governadores. Mas o PSD também cumpre um papel fundamental nesse projeto de grupo. Somos, hoje, o partido mais forte da base. Então, é natural que também desejemos o nosso lugar ao sol. Acredito que, no momento certo, esse assunto será colocado à mesa de forma mais objetiva. O senador Angelo Coronel (PSD) tem todo o direito de pleitear a reeleição. O PT também tem todo o direito de reivindicar a posição para o ministro Rui Costa. O importante é que estejamos unidos em 2026. Pelo PSD, o senador Otto Alencar, nosso presidente, saberá conduzir bem isso. Não interessa a ninguém que a aliança seja comprometida.

Tribuna – Enxerga força na oposição tanto na Bahia quanto no plano nacional em 2026?

Adolfo Menezes – Olhe, eu acho que não devemos menosprezar adversário. Isso é um erro que não podemos cometer. Veja que a oposição, na eleição de 2022, menosprezou Jerônimo, porque não era uma figura conhecida ainda da maioria dos baianos. Apostando em pesquisas, achavam que a eleição estava ganha, e todos viram o resultado. Talvez por isso eles não tenham buscado montar uma chapa mais competitiva, deixando um nome de peso como José Ronaldo (União) de fora. Como presidente da Assembleia, todos sabem que eu sempre busquei respeitar a oposição, que tem o seu papel e a sua força. Tanto que governam Salvador e algumas das maiores cidades da Bahia. Temos que continuar fazendo nosso papel, porque o povo quer saber é de quem trabalha por ele, e não de quem fica criticando, apesar da promiscuidade que sabemos que existe, principalmente na eleição para deputado federal, por conta dessas emendas de milhões usadas sem transparência alguma e que resultam nessas operações policiais que vemos diariamente na imprensa.

Compartilhe:

Edit Template

Sobre

O Cleber Vieira News é um site de notícias que cobre eventos locais de Senhor do Bonfim, Bahia, com foco em política, segurança e problemas urbanos. Ele também apresenta atualizações regionais de outras cidades baianas e de áreas do entorno. Em nível nacional, o site destaca temas como saúde pública e segurança, trazendo uma visão ampla que conecta leitores às questões locais, regionais e nacionais. Essa abordagem permite aos leitores uma perspectiva completa dos assuntos mais relevantes na Bahia e no Brasil.

Posts recentes

  • All Post
  • Artigos
  • Bahia
  • Brasil
  • Cidades
  • Coluna Vip
  • Educação
  • Esporte
  • Famosos
  • Geral
  • Mundo
  • Policial
  • Política
  • Saúde
  • Sem Categoria

© 2024 Criado por ATDesign

Pular para o conteúdo