Artigo:Empresariado: uma categoria que não se move

O empresário brasileiro está sendo esmagado. A cada novo imposto, a cada aumento de custos, a cada obrigação imposta, empreender deixa de ser um sonho para se transformar em um exercício diário de sobrevivência.
Durante décadas, milhares de brasileiros saíram das feiras livres, das vendas de porta em porta e do comércio ambulante para construir empresas, gerar empregos e movimentar a economia. Hoje, muitos enxergam um caminho inverso: fechar as portas e voltar à informalidade para continuar vivendo.
A carga tributária sufoca. Os encargos trabalhistas pesam. Os aluguéis se tornam impagáveis. Os custos operacionais não param de crescer. Enquanto isso, quem produz continua sendo chamado a pagar a conta de um Estado cada vez mais caro.
O mais impressionante, porém, é o silêncio da própria categoria.
Quando o diesel aumenta, caminhoneiros cruzam os braços e o país para. Quando o FPM diminui, prefeitos lotam Brasília em defesa dos municípios. Diversas categorias profissionais se organizam, pressionam parlamentares e conquistam direitos.
E o empresariado?
Na maioria das vezes, limita-se a reclamar nos corredores das associações comerciais ou nas mesas de reuniões. Muitos desistem, fecham as empresas ou transferem seus investimentos para países onde encontram um ambiente mais favorável aos negócios. Poucos se unem para exigir uma reforma tributária efetiva, menos burocracia, segurança jurídica e condições reais para produzir.
Nenhuma economia cresce perseguindo quem investe, emprega e assume riscos. Quando uma empresa fecha, não é apenas um CNPJ que desaparece. São empregos perdidos, famílias afetadas, arrecadação reduzida e sonhos interrompidos.
É preciso que o empresariado brasileiro compreenda que desenvolvimento econômico também depende de mobilização. Quem não ocupa as ruas, os parlamentos e os espaços de debate acaba sendo apenas espectador das decisões que afetam o seu próprio futuro.
A liberdade econômica não se conquista apenas trabalhando. Também exige organização, representação e participação política.
Enquanto o empresário permanecer dividido e acomodado, continuará assistindo, em silêncio, ao aumento da burocracia, dos custos e das dificuldades para produzir. E, quando perceber, talvez reste apenas a lembrança do tempo em que empreender no Brasil ainda era sinônimo de esperança.
Por Cleber Vieira
Radialista – RPR nº 1.989
Jornalista – DRT nº 7.774

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