Delegado da Polícia Civil é preso em investigação sobre suposta cobrança de vantagens a garimpeiros de Cansanção e Nordestina
O delegado da Polícia Civil da Bahia José Marcelo Bezerra de Santana foi preso na quarta-feira (5), em Euclides da Cunha, no norte da Bahia. A prisão é um desdobramento da Operação Ouro de Tolo, investigação que apura suspeitas de cobrança de vantagens indevidas a garimpeiros que atuam principalmente nas regiões de Cansanção e Nordestina.
As investigações não começaram agora. Em agosto de 2025, a Corregedoria da Polícia Civil deflagrou a Operação Ouro de Tolo e cumpriu mandados contra o delegado, que comandava as delegacias de Cansanção e Nordestina. Na ocasião, ele foi afastado das funções por 90 dias e teve suspensos o porte e a posse de armas de fogo.
Segundo informações divulgadas sobre o inquérito, a investigação teria começado após áudios encaminhados à Corregedoria, nos quais haveria solicitações de vantagens indevidas. Também passaram a ser investigados possíveis recebimentos de recursos provenientes de mineradoras, comerciantes e postos de combustíveis da cidade.
Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação financeira atribuída ao policial. Um Relatório de Inteligência Financeira apontou movimentações superiores a R$ 12 milhões em contas pessoais ao longo de três anos, montante considerado incompatível com seus rendimentos.
Durante as buscas realizadas em 2025, na residência do delegado, foram apreendidos R$ 90 mil em dinheiro, além de aparelho celular e armas de fogo. Entre elas estava uma espingarda calibre 12 cujo registro, segundo as informações divulgadas à época, estava vencido.
As apurações também mencionam denúncias sobre possíveis relações entre a delegacia então comandada pelo investigado e criminosos da região, além de mensagens que, segundo a investigação, indicariam orientação a um advogado para falsificação de documentos com a finalidade de liberar valores apreendidos. Essas informações permanecem no campo das acusações sob investigação e não representam condenação definitiva.


