Neste período eleitoral, considero necessário fazer uma reflexão sobre um problema antigo que, infelizmente, ainda encontra espaço na política brasileira: a perseguição contra quem pensa diferente.
Os velhos “coronéis da política” não desapareceram completamente. Alguns apenas modernizaram seus métodos. O chicote de ontem pode ter sido substituído pela pressão, pela ameaça velada, pela tentativa de silenciamento, pela retirada de oportunidades e pela coação contra aqueles que não aceitam seguir determinada orientação política.
São figuras que demonstram dificuldade em conviver com o contraditório. Preferem a bajulação ao questionamento, o aplauso à crítica e, muitas vezes, cercam-se de pessoas que dizem apenas aquilo que desejam ouvir.
Mas seria injusto colocar toda a responsabilidade apenas sobre os políticos.
Também precisamos olhar para dentro da própria imprensa. Jornalismo sério fiscaliza, investiga, questiona e denuncia. Isso faz parte de sua missão. Entretanto, existe uma enorme diferença entre exercer o jornalismo crítico e transformar um veículo de comunicação em instrumento permanente de perseguição contra determinado político ou grupo.
Quando só se enxergam defeitos, quando os fatos são apresentados de maneira distorcida para alimentar uma narrativa previamente estabelecida e quando a crítica deixa de observar critérios jornalísticos, já não estamos falando simplesmente de fiscalização do poder.
Da mesma forma, há políticos que tentam perseguir, intimidar ou desqualificar profissionais da imprensa porque não gostaram de uma notícia ou de uma pergunta. Isso também precisa ser repudiado.
E existe ainda uma prática mais grave: quando alguém se apresenta como profissional de imprensa e utiliza sua posição para pressionar pessoas públicas em busca de benefício próprio. Se houver ameaça ou constrangimento para obtenção de vantagem indevida, a situação ultrapassa o campo da crítica jornalística e pode, conforme as circunstâncias e a legislação, assumir consequências jurídicas.
Imprensa não pode ser instrumento de vingança. Política não pode ser instrumento de perseguição.
O político precisa compreender que será criticado e fiscalizado. O jornalista precisa compreender que sua liberdade traz consigo responsabilidade, compromisso com os fatos e direito ao contraditório.
Democracia não é conviver apenas com quem concorda conosco. Democracia é ter maturidade para respeitar quem pensa diferente.
Precisamos combater tanto o coronelismo político quanto o mau uso da imprensa. Nenhum dos dois contribui para uma sociedade verdadeiramente democrática.
Por Cleber Vieira
Radialista – RPR 1.989
Jornalista – DRT 7.774


