Uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da Polícia Civil, revelou um suposto esquema criminoso envolvendo empresários do setor de eventos e agentes públicos na contratação de shows de artistas nacionais por prefeituras.
Batizada de Operação Pão e Circo, a ação apura suspeitas de fraude em licitações, formação de cartel, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. As investigações apontam que os envolvidos teriam combinado previamente quem venceria os processos licitatórios, manipulando preços e eliminando a concorrência para controlar o mercado de eventos públicos.
Segundo o Ministério Público, o grupo utilizava empresas ligadas entre si para participar das licitações, simulando concorrência. Em alguns casos, o dinheiro obtido com os contratos públicos teria sido ocultado por meio de movimentações financeiras suspeitas, uso de empresas de fachada, pessoas interpostas (“laranjas”) e pagamentos em espécie, caracterizando indícios de lavagem de dinheiro.
As investigações também apontam suspeitas de pagamento de propina a agentes públicos para favorecer empresas específicas na contratação de atrações de renome nacional para festas municipais. Conforme o Ministério Público, o esquema teria movimentado dezenas de milhões de reais em contratos públicos ao longo dos últimos anos. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
Durante a operação, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 18 municípios de Santa Catarina e também no Rio Grande do Sul. A Justiça determinou ainda o afastamento cautelar de um prefeito, a prisão preventiva de um empresário apontado como líder do grupo, além do bloqueio de bens e outras medidas cautelares contra investigados.
Fonte:Poder360



