É LÍCITO FAZER POLÍTICA NA IGREJA?
Por Pastor Cleber Vieira
Falar sobre política na igreja não é, por si só, algo ilícito ou incompatível com a fé cristã. A igreja pode e deve ensinar princípios bíblicos que também alcançam a vida pública, como justiça, honestidade, responsabilidade, combate à corrupção, cuidado com os mais vulneráveis e respeito às autoridades.
A Bíblia trata da relação do cristão com as autoridades. Romanos 13:1–7 aborda a submissão às autoridades constituídas, enquanto 1 Timóteo 2:1–2 recomenda que sejam feitas orações pelos reis e por todos os que exercem autoridade. Ao longo das Escrituras, também encontramos profetas que confrontaram governantes diante de injustiças e pecados.
Entretanto, existe uma diferença importante entre falar de política e transformar o púlpito em palanque político-partidário. Uma coisa é orientar os membros a exercerem sua cidadania com consciência, examinando propostas, caráter e compromisso público. Outra é utilizar o culto, o altar ou a autoridade espiritual para pedir votos, constranger fiéis ou apresentar determinada candidatura como se fosse a única escolha aceitável para um cristão.
No Brasil, há ainda limites estabelecidos pela legislação eleitoral quanto à propaganda em templos religiosos. Por isso, líderes e comunidades precisam distinguir a liberdade de manifestação e o debate sobre questões públicas da propaganda eleitoral realizada dentro do espaço religioso.
O pastor, como cidadão, possui suas convicções políticas. O membro da igreja também. Contudo, a comunhão cristã não deve ser condicionada à escolha de um partido ou candidato. Pessoas que professam a mesma fé podem chegar a conclusões eleitorais diferentes.
Portanto, é legítimo ensinar sobre política à luz dos valores cristãos, incentivar o voto consciente, cobrar justiça das autoridades e discutir os problemas da sociedade. O que deve ser evitado é transformar a igreja em comitê eleitoral e o altar em instrumento de campanha.
A igreja pertence a Cristo. O púlpito deve anunciar o Evangelho, formar consciências e defender princípios — não controlar o voto das pessoas.
Pastor Cleber Vieira


