A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), um dos grupos mais tradicionais e conservadores da Igreja Católica, apresentou um recurso contra a decisão do Vaticano que declarou o grupo em situação de cisma e confirmou a excomunhão de seus bispos e dos novos prelados ordenados sem autorização do Papa Leão XIV.
O recurso foi encaminhado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão responsável por questões doutrinárias da Igreja. Em comunicado oficial, a fraternidade afirmou que a decisão é considerada injusta e que pretende utilizar os instrumentos previstos no Direito Canônico para buscar sua revisão. O grupo declarou que permanece fiel ao que considera a tradição da Igreja Católica e sustenta que suas ações tiveram como objetivo preservar a fé e a continuidade da doutrina.
A crise se agravou após a Fraternidade ordenar quatro novos bispos em 1º de julho, na cidade de Écône, na Suíça, sem o mandato pontifício. Antes da cerimônia, o Papa Leão XIV havia feito um apelo para que a ordenação não fosse realizada, alertando que a iniciativa configuraria uma ruptura da comunhão com a Igreja. Mesmo diante do pedido, a consagração ocorreu normalmente.
Em resposta, o Vaticano publicou um decreto declarando que os bispos consagrantes e os quatro novos bispos incorreram automaticamente na pena de excomunhão por praticarem um ato considerado cismático pelo Direito Canônico. Além disso, a Santa Sé informou que os sacerdotes da Fraternidade exercem o ministério de forma ilícita e orientou os fiéis a não participarem das celebrações promovidas pelo grupo.
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X tornou-se conhecida por rejeitar parte das reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II, especialmente as mudanças litúrgicas, mantendo a celebração da missa em latim e outras práticas tradicionais. Ao longo das últimas décadas, o relacionamento entre o grupo e a Santa Sé foi marcado por tentativas de reconciliação, mas também por sucessivas divergências doutrinárias.
Mesmo após apresentar o recurso, a situação canônica da Fraternidade permanece inalterada até que haja uma eventual nova decisão do Vaticano. O caso é considerado um dos episódios mais delicados vividos pela Igreja Católica nos últimos anos e reacende o debate sobre tradição, autoridade papal e unidade da Igreja.



