Homem que matou enfermeira após ser cobrado para procurar emprego é condenado a mais de 31 anos
O Tribunal do Júri do Ceará condenou Matheus Anthony Lima Martins Queiroz pelo feminicídio da enfermeira Clarissa Costa Gomes, de 31 anos. A vítima foi assassinada com dezenas de golpes de faca dentro da própria residência, no bairro Jardim Cearense, em Fortaleza.
O julgamento terminou na terça-feira, 14 de julho de 2026, depois de dois dias de sessão no Fórum Clóvis Beviláqua. Segundo o Ministério Público do Ceará, o réu recebeu pena de 31 anos e quatro meses de prisão. O órgão ministerial, entretanto, recorreu ao Tribunal de Justiça para tentar aumentar a condenação.
Discussão teria começado após cobrança por emprego
Durante o julgamento, Matheus confessou o crime pela primeira vez. Conforme o relato apresentado em plenário, a discussão teria começado depois que o casal retornou da academia.
Clarissa trabalhava como enfermeira em dois hospitais da capital cearense e cobrava que o namorado procurasse um emprego para também contribuir com as despesas. O acusado afirmou que perdeu o controle durante a discussão e atacou a companheira.
Reportagens sobre o caso apontam que Clarissa sofreu 34 facadas, embora outra publicação tenha mencionado 36 golpes. O número exato apresenta divergência entre as coberturas jornalísticas.
Vítima tentava terminar o relacionamento
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu em 9 de julho de 2025, na casa da enfermeira. Clarissa estaria tentando terminar o relacionamento, mas Matheus não aceitava a separação.
Durante o ataque, vizinhos ouviram os gritos de socorro da vítima. Depois de matar a enfermeira, o homem fugiu do imóvel, mas foi localizado e preso ainda no mesmo dia. Desde então, permanecia detido aguardando julgamento.
Nas primeiras fases do processo, o acusado permaneceu em silêncio. Posteriormente, alegou que enfrentava uma confusão mental e que não se lembrava do que havia acontecido. Somente diante dos jurados ele admitiu ter cometido o assassinato.
Defesa alegou redução da capacidade mental
A defesa tentou convencer os jurados de que Matheus seria semi-imputável, alegando que ele não possuía plena capacidade de compreender seus atos no momento do crime.
A tese foi rejeitada pelo Conselho de Sentença, que acolheu integralmente os argumentos apresentados pelo Ministério Público e reconheceu a responsabilidade do acusado pelo feminicídio.
Além da pena de prisão, ele foi condenado ao pagamento de R$ 40 mil de indenização. O Ministério Público informou que apresentou recurso pedindo a elevação da pena.
O assassinato de Clarissa provocou forte comoção em Fortaleza e voltou a repercutir após o julgamento. O caso chama atenção para a violência praticada contra mulheres dentro de relacionamentos e para os riscos enfrentados por vítimas que tentam romper relações abusivas.
Redação Cleber Vieira News


